domingo, 26 de abril de 2020

O Cotidiano nas fábricas durante a Revolução Industrial


Quando a máquina se tornou mais importante do que o homem 

Os primeiros tempos da Revolução Industrial trouxeram aos trabalhadores ingleses dias de muita dificuldade. As condições de vida e de trabalho eram terríveis. Em países como o Brasil, em que a Revolução Industrial ocorreu há menos tempo, situação semelhantes à descrita no texto abaixo ainda ocorrem. "As máquinas, que podiam ter tornado mais leve o trabalho, na realidade o fizeram pior. Eram tão eficientes que tinham de fazer sua mágica durante o maior tempo possível. Para seus donos, representavam tamanho capital que não podiam parar - tinham de trabalhar, trabalhar sempre. Além disso, o proprietário inteligente sabia que arrancar tudo da máquina, o mais depressa possível, era essencial porque, com as novas invenções, elas podiam tornar-se logo obsoletas. Por isso os dias de trabalho eram longos, de 16 horas. Quando conquistaram o direito de trabalhar em dois turnos de 12 horas, os trabalhadores consideraram tal modificação como uma benção. Mas os dias longos, apenas, não teriam sido tão maus. Os trabalhadores estavam acostumados a isso. Em suas casas, no sistema doméstico, trabalhavam durante muito tempo. A dificuldade maior foi adaptar-se à disciplina da fábrica. Começar numa hora determinada, para, noutra, começar novamente, manter o ritmo dos movimentos da máquina - sempre sob as ordens e a supervisão rigorosa de um capataz - isso era novo. E difícil. Os fiandeiros de uma fábrica próxima de Manchester trabalhavam 14 horas por dia numa temperatura de 26 a 29°C, sem terem permissão de mandar buscar água para beber.



O Trabalho Infantil

 Uma das práticas mais comuns no início da Revolução Industrial era recrutar mão-de-obra infantil nos orfanatos. As crianças órfãs eram levadas para as fábricas, onde passavam a viver, e eram exploradas em jornadas de trabalho de até 15 horas diárias. "Perante uma comissão do Parlamento em 1816, o Sr. John Moss, antigo capataz de aprendizes numa fábrica de tecidos de algodão, prestou o seguinte depoimento sobre as crianças obrigadas ao trabalho fabril: 'Eram aprendizes órfãos? - Todos aprendizes órfãos. 'E com que idade eram admitidos? - Os que vinham de Londres tinham entre 7 e 11 anos. Os que vinham de Liverpool, tinham de 8 a 15 anos. 'Até que idade eram aprendizes? - Até os 21 anos. 'Qual o horário de trabalho? - De 5 da manhã até as 8 da noite. 'Quinze horas diárias era um horário normal? - Sim. 'Quando as fábricas paravam para reparos ou falta de algodão, tinham as crianças, posteriormente, de trabalhar mais para recuperar o tempo parado? - Sim. 'As crianças ficavam de pé ou sentadas para trabalhar? - De pé. 'Durante todo o tempo? - Sim. 'Havia cadeiras na fábrica? - Não. Encontrei com freqüência crianças pelo chão, muito depois da hora em que deveriam estar dormindo. 'Havia acidentes nas máquinas com as criança? - Muito freqüentemente."



O dia-a dia durante a Revolução Industrial

 As condições dos trabalhadores das primeiras grandes fabricas inglesas não eram das melhores. Homens, mulheres es crianças chegavam e trabalhar mais de 14 horas por dia, com quase nenhum descanso. É um pouco deste cotidiano que veremos a seguir:

As Famílias

 Um pai de família tinha poucas chances de conseguir emprego numa fábrica no século XVIII. Já sua mulher e seus filhos, não importando a idade, representavam o perfil mais visado pelos industriais. Com as máquinas cada vez mais potentes a força foi sendo substituída pela delicadeza. Mas, o principal motivo dessa preferência estava nos salários bem mais baixos pagos a mulheres e crianças.

 O Pão

 O pão era o principal alimento dos trabalhadores da Inglaterra. Entretanto, ele não era um alimento barato. No ano de 1795 custava cerca de 5 pences, equivalendo hoje a 5 dólares. Em reais, ano de 2005, isso equivaleria R$10,30.

 O Horário 

Acordar por volta das 4 horas da manhã e sair da fábrica por volta das 8 horas da noite era rotina para os trabalhadores ingleses. As famílias eram acordadas ao som de um apito e partiam para o trabalho. A conversa dentro da fábrica era proibida, mas também impossível devido ao ruído ensurdecedor das máquinas. Ao fim da jornada, os trabalhadores ainda tinham de limpar as máquinas antes de ir para casa para começar tudo de novo no dia seguinte.